Adolescente espancado por lutador diz que sente muitas dores e não consegue dormir: ‘Muito difícil’
04/06/2026
(Foto: Reprodução) Homem espanca menino após briga com o filho
O adolescente de 17 anos que foi espancado por um lutador em um bairro nobre de Goiânia disse que sente muitas dores e não está conseguindo dormir desde que o caso aconteceu. Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, foi preso em flagrante após as agressões, mas foi solto com o cumprimento de medidas cautelares.
“Está doendo muito ainda, estou à base de remédio e, além de fisicamente, mentalmente... Eu não estou conseguindo dormir, não estou conseguindo raciocinar muito, está muito difícil”, disse o menino em um vídeo enviado pela mãe ao g1.
O g1 não localizou a defesa do lutador até a última atualização desta reportagem.
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As agressões aconteceram na quadra da Praça das Artes, no Jardim Goiás, no dia 29 de maio. Segundo Vivian Cunha, mãe do adolescente, ele e outros amigos estavam jogando uma partida de futebol quando Rafael teria perguntado por que o menino estava olhando para ele e começado as agressões em seguida.
Em um vídeo enviado pela mãe do menino ao g1, ele conta que sente dores no pescoço, costelas, braços, pernas e que não está conseguindo ir à escola. “Está muito sensível, só de falar já dói. Não estou conseguindo ir para o colégio, pois minhas pernas, meus braços, minha costela, onde ele me chutou, está muito dolorido”, desabafou.
O menino ainda dá detalhes das agressões, dizendo que recebeu socos, chutes, que foi estrangulado e que Rafael disse que ia matá-lo.
Adolescente foi espancado em praça no setor Jardim Goiás
Arquivo Pessoal/Vivian
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Espancado em quadra
Segundo a mãe do adolescente, os garotos estavam no meio de uma partida de futebol na quadra, quando a bola saiu. Momento em que Rafael teria olhado para o garoto e gritado: “Por que você está me olhando?”.
O adolescente diz que não respondeu à pergunta. “O Rafael já começou a chutar ele e deu um murro no nariz do meu filho”, conta ela. Depois disso, o lutador que diz ser faixa preta de Jiu-Jitsu e Muay Thai teria começado a apertar o pescoço do adolescente, que chegou a perder a consciência.
“Ele disse que foi ficando sem respirar, sufocado e sentiu como se estivesse dentro de um mar negro afundando”, contou Vivian.
Rafael Gomes Pereira segurou o adolescente com um golpe por cerca de 1 minuto
Reprodução/Instagram de Rafael Gomes e Arquivo Pessoal/Vivian Pereira
Testemunhas relatam que somente depois que o adolescente estava inconsciente, quando uma mulher que parecia ser companheira do lutador pediu que ele soltasse o menino, é que Rafael foi embora.
O lutador foi preso em flagrante, mas foi solto no dia seguinte. Em audiência de custódia, a Justiça determinou que ele precisava usar tornozeleira eletrônica e manter pelo menos 300 metros de distância do adolescente.
Filmando a praça
Nesta segunda-feira (1º), Vivian denunciou o descumprimento das medidas cautelares depois que Rafael foi flagrado filmando a família da janela de um apartamento com vista para a praça.
Ela conta que estava na Praça das Artes com os dois filhos quando percebeu duas pessoas filmando a quadra. A servidora pública afirma que Rafael se mudou para um local mais próximo da praça após as agressões.
“Ele foi solto e mudou para um apartamento mais próximo ainda da praça, que tem uma visão ampla da quadra, em total descumprimento à ordem judicial. [...] Os vizinhos viram e me enviaram fotos dele e do filho filmando as pessoas e, inclusive, eu e os meus filhos”, disse a servidora pública.
Segundo a família, Rafael se mudou para um apartamento mais próximo da praça onde o crime aconteceu
Arquivo pessoal/Vivian Cunha
Vivian chamou a polícia, já que uma decisão judicial proíbe o lutador se aproximar das vítimas, dos locais onde eles moram e espaços que frequentam, como a quadra da Praça das Artes. No Boletim de Ocorrência, os policiais militares constataram que Rafael estava descumprindo a determinação.
Rafael foi informado pela Polícia Penal de que não poderia ficar naquele imóvel, segundo Vivian. Ele teria deixado o apartamento por volta das 21h.
De acordo com Vivian, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do investigado pelo descumprimento das medidas cautelares, mas o juiz de plantão informou que o juiz natural do caso era o mais adequado para julgar o pedido.
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