'Cofre central': PCC usava tambor enterrado em propriedade rural para esconder drogas em Roraima

  • 09/06/2026
(Foto: Reprodução)
Operação Fim de Dança, em novembro de 2025, prendeu chefes do PCC, que foram denunciados pelo MP. PCRR/Divulgação Um esconderijo em uma área de mata, batizado pelos próprios criminosos como "cofre central", foi a peça-chave para a condenação de seis integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima. O local, uma propriedade rural no município de Caracaraí, servia para armazenar as drogas antes da distribuição aos pontos de venda da facção no estado. A sentença foi proferida no dia 30 de maio pela Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí. As penas variam de três a quase dez anos e, somadas, chegam a mais de 54 anos de prisão. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Entre os condenados estão o dono da propriedade rural onde as drogas ficavam escondidas, o líder do esquema no estado, operadoras financeiras e um membro responsável por funções restritas do grupo. Abaixo, a lista de nomes, funções e penas estabelecidas pela Justiça: Rodrigo Alberto Xavier ('Sorriso Maroto'): Condenado a 8 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por organização criminosa e associação para o tráfico. Enviado de São Paulo para chefiar a facção em Roraima. Justiça extinguiu a acusação de tráfico neste processo específico porque ele já havia sido condenado por essa mesma carga de drogas em outra ação penal; Cilara Rodrigues de Souza ('Kauany'): Condenada a 9 anos, 1 mês e 7 dias de prisão em regime fechado por organização criminosa e tráfico. Atuava no recrutamento de mulheres e no gerenciamento direto de "lojas". Teve o direito de recorrer em liberdade revogado. Thelrislainy Stifany de Jesus Icassatte ('Allanna'): Condenada a 9 anos, 1 mês e 7 dias de prisão em regime fechado por organização criminosa e tráfico de drogas. Atuava como "Geral da FM" e "Geral Fora do Ar", operando as finanças e o pagamento do aluguel do esconderijo das drogas. A Justiça manteve sua prisão domiciliar provisória por ser gestante. Gleimerson Leonardo de Souza ('Profeta'): Condenado a 8 anos, 2 meses e 15 dias de prisão em regime fechado por organização criminosa e tráfico. Atuava como gerente da Loja Tem de Tudo no município de Mucajaí e enviava vídeos pesando crack, cocaína e skunk para a cúpula. José Daniel Alves de Sousa: Condenado a 3 anos, 5 meses e 7 dias de prisão em regime semiaberto por associação para o tráfico. Ele alugou a própria propriedade rural em Caracaraí por R$ 1.000 mensais para a facção enterrar um tambor (o "cofre central") com 3,3 quilos de cocaína e auxiliava nas auditorias. Ele poderá recorrer em liberdade. Sexto condenado (identidade não divulgada): Sentenciado a 9 anos, 11 meses e 7 dias de prisão. A informação foi divulgada pela Polícia Civil. De acordo com a investigação, ele exercia as funções conhecidas na facção como "Restrito da FM" e "Guarda-Roupa". O g1 tenta localizar a defesa dos condenados. A descoberta do esconderijo foi um dos principais elementos para a condenação do grupo, segundo detalhou o Ministério Público (MP) em nota divulgada nesta segunda-feira (8). O espaço funcionava em uma propriedade rural em uma área de mata na Vicinal 3 do Projeto Cujubim, em Caracaraí, e era a base de abastecimento de toda a rede. O local pertencia a José Daniel Alves de Sousa, que recebia o aluguel por transferências via Pix, feitas pela operadora financeira Thelrislainy. Durante o processo, a defesa de José Daniel alegou que ele achava que o local guardaria "minério". No entanto, a Justiça rejeitou a tese, pois o próprio réu confessou que, após dois meses, descobriu se tratar de drogas e decidiu continuar recebendo o dinheiro. Para comprovar a atuação da facção, os promotores apresentaram vídeos produzidos pelos próprios traficantes para controlar o estoque. Nas imagens extraídas dos celulares apreendidos, os criminosos pesam e fazem a auditoria das drogas mantidas no "cofre central", o que evidenciou para a Justiça o alto grau de organização da estrutura criminosa. Em um dos vídeos, José Daniel auxilia o líder Rodrigo nas pesagens do entorpecente em meio à mata. O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRR, promotor Joaquim Eduardo dos Santos, destacou que o desfecho do processo reflete o foco das autoridades em enfraquecer o grupo. “Nosso foco vai muito além de apreender drogas: o objetivo é desarticular e enfraquecer as organizações criminosas. Seguiremos trabalhando de forma integrada para garantir que o crime organizado não encontre espaço para se fortalecer em Roraima”, ressaltou. A Justiça determinou o perdimento de todos os bens e valores apreendidos com os réus em favor da União e ordenou a incineração das drogas. Hierarquia e faturamento 🚓 O grupo operava o chamado "Setor da FM" (Família) do PCC, que consistia em uma rede altamente estruturada de tráfico de drogas, baseada em pontos de venda no varejo, conhecidos internamente como "lojas" ou "lojinhas". Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, a facção administrava pelo menos 55 desses pontos espalhados por diversos municípios, faturando cerca de R$ 1,5 mil diariamente. Apenas uma parcela dessa rede, composta por 14 lojas, chegou a movimentar R$ 414 mil em quatro meses. A operação criminosa mantinha uma hierarquia rigorosa e divisão clara de tarefas, ligada a um setor nacional da facção chamado "FM - Progresso". A maior parte do lucro arrecadado era enviada à cúpula da organização criminosa em São Paulo, restando uma comissão de 25% a 30% para os gerentes locais. O alto escalão do grupo era liderado por Rodrigo Alberto Xavier, o "Sorriso Maroto", e Cilara Rodrigues, a "Kauany", que chefiava as mulheres envolvidas e a loja mais lucrativa do esquema. Relatórios de inteligência usaram vídeos de prestação de contas e mensagens de celular para comprovar a atuação dos criminosos. Perda de prisão domiciliar Um dos destaques da sentença é o caso de Cilara Rodrigues de Souza, conhecida como Kauany. Ela cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica por ser mãe de filhos menores, mas teve o benefício revogado e a prisão preventiva decretada. A decisão ocorreu porque Cilara foi alvo de uma nova denúncia que apontou que ela continuou a financiar e comandar o transporte de pasta base de cocaína, mesmo enquanto era monitorada em casa pela Justiça. LEIA MAIS: 'Lojas' de drogas: PCC em Roraima enviava dinheiro dos lucros a SP, aponta Polícia Civil Prints e áudios: Como atuavam os 'gerentes' de 'lojas' do tráfico do PCC em Roraima Principal chefe feminina: Kauany comandava 'loja' de drogas com maior lucro 30 denunciados: MP denuncia integrantes do PCC por esquema de 'lojas' em Roraima 26 presos: Megaoperação contra PCC prende integrantes e atinge núcleo financeiro da facção PCC em Roraima 🔎 O PCC, que surgiu há mais de 30 anos em uma prisão e há duas décadas era uma facção com 5 mil criminosos, exclusivamente no estado de São Paulo, se espalhou pelo Brasil e pelo mundo. Atualmente conta com cerca de 40 mil membros e já é considerada uma máfia, segundo o promotor Lincoln Gakiya, que investiga há décadas a ação do grupo criminoso no estado de São Paulo. Um estudo divulgado em novembro deste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontou que o PCC domina a criminalidade em Roraima. A facção está presente em 13 dos 15 municípios do estado, incluindo a capital Boa Vista, e tem domínio exclusivo em cinco. Veja reportagem sobre operação que prendeu chefes: Operação Fim de Dança II prende suspeitos em Roraima e Santa Catarina Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/06/09/cofre-central-pcc-usava-tambor-enterrado-em-propriedade-rural-para-esconder-drogas-em-roraima.ghtml


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