Durigan diz que crise da Casas Bahia não indica problema geral na economia: 'Não há'

  • 21/08/2026
(Foto: Reprodução)
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF Em entrevista ao GloboNews Mais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que os juros elevados pressionam o varejo, mas rejeitou a avaliação de que os problemas enfrentados por empresas como as Casas Bahia sejam evidência de uma crise generalizada na economia brasileira. Segundo Durigan, uma análise de uma série histórica mais ampla mostra uma redução no número de falências e recuperações judiciais. Nesse levantamento, disse, o varejo aparece atrás de outros setores, como a indústria. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “Quando a gente compara a série histórica mais ampla, houve um decréscimo de falências e recuperações judiciais, e o varejo fica atrás, inclusive, de setores como a indústria.” O ministro afirmou que o caso das Casas Bahia é um problema específico da empresa e lembrou que o grupo já havia passado por uma recuperação extrajudicial. “Sem minimizar, acho que é uma questão, um problema da Casas Bahia, lembrando que já teve uma recuperação extrajudicial anos atrás, que, inclusive, na petição agora da recuperação judicial, disse que não foi concluída, né?, com total êxito, aquela extrajudicial, e agora passa de novo para uma recuperação judicial.” Durigan também citou outras empresas que entraram em processos de recuperação judicial, mas afirmou que os casos não configuram uma crise generalizada no varejo. “Então, há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há.” Dario: 'Oposição quer trazer tema como crise' Por que os juros pesam sobre o varejo Segundo Durigan, o varejo é especialmente dependente de crédito, tanto na relação com fornecedores quanto nas vendas aos consumidores. Por isso, um cenário de juros elevados reduz a atividade do setor. “Não posso fugir do tema dos juros, porque o setor varejista tem margens apertadas e depende — a gente fala "alavancado", no jargão mais técnico — de crédito para trás, para os seus fornecedores, e depende do crédito para frente, para as famílias, para os consumidores que compram". O ministro afirmou que esse efeito também está relacionado ao objetivo da política monetária contracionista. “De outra forma, é também a finalidade da própria política monetária contracionista que esse efeito seja gerado.” Dario Durigan: 'A gente vai seguir apertando o arcabouço fiscal' Governo quer reduzir despesas obrigatórias e melhorar eficiência Na avaliação de Durigan, parte da resposta aos juros elevados passa pela política fiscal. Segundo ele, o governo já aprovou medidas de contenção de despesas e pretende continuar trabalhando para melhorar o resultado fiscal. “Entre a entrevista anterior e essa, nós aprovamos no Congresso Nacional contenção do crescimento de despesa. Além de ter bloqueio no Orçamento este ano, mais contenção de despesa obrigatória já aprovada no Congresso, que vai abrir espaço para o ano que vem.” “E a gente vai seguir apertando o arcabouço fiscal para que a gente tenha um resultado cada vez melhor do ponto de vista fiscal, que é o trabalho do ministro da Fazenda: colaborar com a política monetária, fazendo o seu papel do lado da política fiscal.” Ao falar sobre os próximos passos, Durigan afirmou que o governo pretende reduzir despesas obrigatórias, melhorar a eficiência dos programas sociais e recompor receitas. “O que eu estou sinalizando para frente é: nós vamos ter que diminuir o gasto obrigatório, melhorar a eficiência dos programas sociais e seguir recompondo receita dentro de uma discussão de justiça.” Ele também citou a redução de benefícios tributários e uma maior eficiência na contratação de pessoal. “Vamos fazer cortes lineares, como está fazendo este ano de eleição, em benefício tributário. Vamos melhorar a eficiência do Estado, colocando menos peso na contratação de pessoal.” Segundo o ministro, o próximo ano terá um limite de 0,6% para o incremento de despesas com pessoal. “O ano que vem tem um limite de 0,6% para a gente ter incremento de despesa com pessoal, o que já impõe uma disciplina em que a gente tem que investir mais em sistema, em eficiência do Estado, e menos em contratação de pessoal, por exemplo.” Durigan também defendeu a revisão de gastos obrigatórios, a otimização da máquina pública e a revisão de privilégios. “Essas várias frentes: diminuição de gasto obrigatório, abertura para espaço discricionário para investimento, aumentando a produtividade e a capacidade de investimento privado; olhar para os privilégios indevidos que nós temos no país, seja de aposentadoria no serviço público, de militares, seja otimizando a máquina pública.” Segundo ele, esse conjunto de medidas pode abrir espaço para investimentos e contribuir para a redução dos juros. Dario Durigan: 'A gente vai seguir apertando o arcabouço fiscal' Governo fala em ajuste de cerca de 2% do PIB Ao discutir medidas para conter o crescimento das despesas, Durigan afirmou que o governo espera conseguir uma “boa acomodação” do aumento das despesas obrigatórias no próximo ano. “O Congresso aprovou. Nós vamos ter, para o ano que vem, uma boa acomodação no aumento de despesa obrigatória. E é fazendo isso, fazendo esse diálogo, que a gente vai conseguir avançar, seguindo, fazendo esse ajuste, como a Júlia mencionou, de algo como 2% do PIB.” Segundo Durigan, esse cálculo considera o conjunto das medidas e não se limita às exceções relacionadas ao tarifaço e ao Rio Grande do Sul. “É considerando tudo. Aqui eu não estou falando da regra que tem essas exceções sobre tarifaço, o Rio Grande do Sul. É cerca de 2% do PIB, que é o que nós precisamos seguir fazendo no país na próxima gestão.” Governo não discute desvinculação de benefícios do salário mínimo Questionado sobre a possibilidade de desvincular benefícios previdenciários e sociais do salário mínimo, Durigan afirmou que a medida não está em discussão. “Não, nós não discutimos e não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios, tanto previdenciários quanto alguns sociais.” O ministro afirmou, porém, que a revisão dos gastos obrigatórios continuará sendo feita. Segundo ele, a política de valorização do salário mínimo já passou por uma limitação para permitir aumento real com sustentabilidade. “A política de valorização do salário mínimo, que é fundamental para a gente ter, por exemplo, mais renda para as pessoas poderem consumir no varejo, foi limitada para que a gente tenha aumento real, mas com sustentabilidade.” “Já existe e foi feita, nessa gestão, uma trava para o crescimento da valorização do salário mínimo, que tem repercussão, sim, aí sim, para os benefícios sociais, para os benefícios previdenciários.” Durigan não confirma redução do crescimento das despesas para 1,5% Questionado sobre a possibilidade de reduzir de 2,5% para 1,5% a taxa de crescimento das despesas prevista no arcabouço fiscal, Durigan não confirmou nenhum número. “Não, eu não vou cravar número. De novo, nós vamos cravar uma trajetória de sustentabilidade, com redução da dívida a longo prazo.” Segundo ele, a trajetória fiscal deverá ficar mais clara com a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA), que será entregue ao Congresso na próxima semana. Dario Durigan: 'Não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios' “Se dependesse só da gente, a gente faria mais rápido” Ao ser questionado sobre o ritmo do ajuste fiscal, Durigan afirmou que o governo já apresentou medidas mais ambiciosas, mas que parte delas não avançou no Congresso. “Lá em 2023, quando a gente apresenta a primeira trajetória de resultado primário, nós apresentamos uma trajetória mais ousada e apresentamos as medidas no Congresso. Ainda que a gente tenha votado algumas coisas, outras não foram votadas.” Ele citou como exemplo uma medida que previa a limitação do crédito presumido, um benefício de PIS/Cofins, e que, segundo ele, representava R$ 40 bilhões. “Eu vou lembrar a MP da limitação do crédito presumido, que é um benefício de PIS/Cofins, que foi devolvida pelo Congresso, que previa R$ 40 bilhões. A gente teria alcançado um resultado mais rápido.” “Se dependesse só da gente, a gente faria mais rápido.” Apesar disso, o ministro defendeu o ritmo adotado pelo governo e afirmou que considera positivo o avanço de medidas por meio do diálogo com o Congresso e outros Poderes. “Ainda que o ritmo não seja o ideal, e eu gostaria de fazer em outro ritmo para benefício da sociedade, o que nós temos de projeto do outro lado é desfazimento de confiança, é menos credibilidade.” “Não há opção melhor do que a gente seguir dentro desse processo equilibrado.” Dario Durigan: 'Temos sinalizado por uma trajetória de resultado primário positivo' Durigan diz que R$ 10 bilhões estarão “muito bem colocados” Ao falar sobre o que ainda pode ser feito para acelerar a resposta à situação fiscal, Durigan afirmou que o governo apresentará, na próxima semana, os detalhes da medida que, segundo ele, deve aliviar a pressão sobre as despesas obrigatórias em R$ 10 bilhões ou mais. “O Naka falou dos R$ 10 bilhões para o ano que vem. Vai estar muito bem colocado. Nós vamos apresentar, o ministro Bruno Moretti e eu, talvez no fim da semana que vem ainda, a peça orçamentária do ano que vem, em coletiva transparente em Brasília, com os slides, e vai estar muito bem demonstrado ali como essa medida que nós aprovamos agora, medida concreta, específica, vai tirar a pressão de gasto obrigatório no montante de R$ 10 bilhões ou mais para o ano que vem.” Segundo Durigan, o governo pretende dar transparência aos detalhes da medida. “Nós não temos dificuldade em dar transparência para as questões.” Governo promete retirar subsídios e diz que fará o necessário para reduzir juros Durigan também afirmou que os subsídios serão retirados e criticou medidas adotadas pelo governo anterior. “Os subsídios serão retirados. Não vamos fazer como foi feito no governo anterior, que quem teve que reonerar o combustível foi o ex-ministro Fernando Haddad, em 2023. Foram várias bombas, várias armadilhas fiscais deixadas para frente. Nós não vamos fazer isso.” Segundo ele, o Ministério da Fazenda está preparado para adotar novas medidas quando houver espaço para isso. “Então, assim que a gente tiver a oportunidade, tiver janela com o Congresso Nacional para trabalhar, tiver espaço com o presidente da República para levar as medidas e cuidar da economia brasileira, nós não vamos titubear em nenhum momento.” Ao final, Durigan afirmou que o governo fará o necessário para reduzir os juros. “Nós vamos resolver as questões, dando transparência e com esse compromisso, dentro de um projeto muito claro de responsabilidade fiscal, fazer o que for necessário para diminuir a taxa de juros, que é, sim, uma questão para o país.” Ele também afirmou que o objetivo do governo é atender à sociedade como um todo, e não a um setor específico. “Eu sempre digo: não sou o ministro da Fazenda para atender determinado setor, seja o setor financeiro, seja o setor do agro, seja o setor de varejo. É preciso olhar a saúde da economia brasileira como um todo e ver o avanço da qualidade de vida e do bem-estar da população.”

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/21/entrevista-dario-durigan.ghtml


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