Eleições na Hungria: líderes repercutem derrota de Orbán
12/04/2026
(Foto: Reprodução) Orbán admite derrota na Hungria: 'Resultado da eleição é claro e doloroso'
Líderes mundiais começam a reconhecer a vitória de Peter Magyar, na Hungria, neste domingo, 12.
Veja o que eles disseram:
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comentou o resultado das eleições na Hungria, após a derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán.
“O coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite”, afirmou. “O país escolheu a Europa”, acrescentou.
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Já o presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou Peter Magyar pela vitória nas eleições na Hungria, em post na rede social X.
"Acabei de falar com Péter Magyar para parabenizá-lo pela sua vitória na Hungria!
A França saúda a vitória da participação democrática, o compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da Hungria com a Europa. Vamos avançar juntos rumo a uma Europa mais soberana, pela segurança do nosso continente, pela nossa competitividade e pela nossa democracia."
Outro líder mundial a parabenizar Magyar pela vitória foi o chanceler alemão Friedrich Merz, ele demonstrou interesse em cooperar para uma Europa unida, forte e segura.
"O povo húngaro decidiu. Meus sinceros parabéns pelo seu sucesso eleitoral, caro @magyarpeterMP. Estou ansioso para trabalhar com você. Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida. Parabéns, kedves Magyar Péter!", escreveu ele em uma mensagem na plataforma de mídia social X.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, publicou em sua rede social uma mensagem parabenizando o novo presidente da Hungria, Peter Magyar:
"Parabéns, @MagyarPeterMP, pela sua vitória eleitoral. Este é um momento histórico, não só para a Hungria, mas para a democracia europeia. Espero trabalhar consigo pela segurança e prosperidade dos nossos dois países."
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, declarou em sua rede social:
"Parabéns a @magyarpeterMP e ao partido TISZA pela sua retumbante vitória. É importante quando prevalece uma abordagem construtiva. A Ucrânia sempre buscou boas relações de vizinhança com todos na Europa e estamos prontos para avançar na nossa cooperação com a Hungria. A Europa e todas as nações europeias precisam se fortalecer, e milhões de europeus buscam cooperação e estabilidade. Estamos prontos para reuniões e trabalho construtivo conjunto em benefício de ambas as nações, bem como pela paz, segurança e estabilidade na Europa."
Orbán, líder da extrema direita no país, admitiu derrota nas eleições parlamentares, em resultado que colocou fim aos 16 anos de seu governo. "O resultado é claro e doloroso", afirmou Orbán em discurso a apoiadores.
A apuração dos votos alcançou 60,24% das urnas, com o partido de oposição Tisza projetado para conquistar 136 cadeiras no Parlamento de 199 assentos.
Orbán, líder do partido Fidesz e um dos principais nomes da direita nacionalista na Europa, vê sua legenda ficar com 56 cadeiras no cenário atual, enquanto o Mi Hazánk teria 7 assentos, de acordo com o órgão eleitoral nacional (NVI).
As urnas para as eleições na Hungria foram fechadas às 14h deste domingo (12) no horário de Brasília (19h no horário local). O pleito, considerado o mais importante da Europa neste ano, registrou uma participação recorde de 66% dos eleitores.
Com o avanço da apuração, o líder da oposição, Péter Magyar, afirmou que o primeiro-ministro Viktor Orbán o parabenizou pela vitória nas eleições.
▶️ Contexto: Orbán é um dos principais nomes da extrema direita. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo.
O partido de Orbán, o Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma "democracia cristã iliberal".
As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+.
Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular.
A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de janeiro de 2026
REUTERS/Yves Herman
Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados.
Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço.
Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza.
O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido.
Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal.
O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema".
O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes já indicavam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán.
Se os resultados finais confirmarem as projeções iniciais, o fim do período de 16 anos de Orbán no poder terá implicações significativas não apenas para a Hungria, mas também para a União Europeia, a Ucrânia e além.
Isso provavelmente significaria o fim do papel confrontador da Hungria dentro da UE, possivelmente abrindo caminho para um empréstimo de 90 bilhões de euros (US$ 105 bilhões) à Ucrânia, bloqueado por Orbán.
A derrota também levará à liberação de recursos da UE para a Hungria, que o bloco havia suspendido devido ao que Bruxelas classificou como erosão dos padrões democráticos no governo Orbán.
A saída de Orbán também privaria o presidente russo, Vladimir Putin, de seu principal aliado dentro da UE e provocaria repercussões entre círculos de direita no Ocidente, incluindo a Casa Branca.
Na Hungria, uma vitória do Tisza abre caminho para reformas que, segundo o partido, visam combater a corrupção e restaurar a independência do Judiciário e de outras instituições
Eleições na Hungria
Arte g1