Estudante do TO supera concorrentes de 183 países e chega à final de concurso de redação no Reino Unido
10/09/2026
(Foto: Reprodução) Estudante do TO supera concorrentes de 183 países e vai à final de concurso de redação
A tocantinense Luísa Carvalho Paixão, de 16 anos, garantiu uma vaga entre os finalistas do Global Essay Prize, do Instituto John Locke, prestigiado concurso internacional de redação. Com mais de 100 mil participantes de 183 países, a estudante ficou entre os 17,5% melhores e representará o Brasil ao lado de Pedro Henrique Vaz Negrini, de Uberlândia (MG).
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Natural de Palmas, a adolescente estuda em uma escola particular e escolheu a categoria Sênior de Economia para participar. A proposta consistia em escrever uma redação sobre a seguinte questão: Jeff Bezos enriqueceu às custas de seus clientes, de seus funcionários, de nenhum dos dois ou de ambos? Ela recebeu o e-mail de classificação para a final em julho. A competição é realizada de forma remota.
A competição conta com dez categorias, além do “Grande Prêmio”, que selecionará a melhor redação entre todas. A cerimônia de anúncio dos vencedores acontecerá em outubro, no Reino Unido.
“Espero conquistar alguma premiação, seja um dos prêmios da minha categoria ou, até mesmo, o prêmio geral. Isso seria muito importante. Ao mesmo tempo, independentemente do resultado final, já fiquei muito feliz por ter chegado até esta etapa e por tudo o que essa experiência representou”, afirma Luísa.
Estudante Luísa Carvalho Paixão
Divulgação/Arquivo Pessoal
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Escrito em inglês e com limite de duas mil palavras, o ensaio passou por diferentes etapas de avaliação e levou em conta o pensamento crítico dos participantes. Além da redação, os candidatos participaram de uma entrevista sobre o processo de produção e defesa da tese.
"Achei a proposta muito interessante e gostei bastante dos temas disponíveis neste ano, especialmente da pergunta que escolhi responder", relembra a estudante.
Finalista Luísa Carvalho Paixão com a professora e orientadora na competição, Fadia Samra
Arquivo Pessoal
Luísa conta que tomou conhecimento do concurso enquanto pesquisava na internet por oportunidades como cursos, olimpíadas e outras atividades que poderiam enriquecer seu currículo.
"Faço isso porque tenho o objetivo de cursar faculdade fora do Brasil e sei que essas experiências também são importantes para chegar até lá. Decidi tentar participar e desenvolver o texto, e foi assim que cheguei até a shortlist", relata a jovem.
Luísa reuniu referências da economia, filosofia e matemática para compor seu texto. Uma de suas inspirações foi o conhecido livro Capitalismo, Socialismo e Democracia, de 1942, do economista austríaco Joseph Schumpeter. A estrutura também se baseou em publicações que abordam a Covid-19 e a Inteligência Artificial.
A professora Fadia Samra foi convidada pela estudante para atuar como orientadora na competição. Ela conta que a adolescente realizou, por conta própria, a inscrição.
"Fiquei muito feliz com a conquista da Lu. Ela é extremamente focada e sabe exatamente o que quer e o que precisa fazer para alcançar. Outro diferencial é que a Luísa lê muito, desde pequena", conta a professora.
Com horas de estudo dentro e fora da escola, além de orientações por aplicativos de mensagem e e-mail, a professora explica que foram realizadas cerca de seis escritas e reajustes na redação. O grande desafio foi focar em um vocabulário técnico e científico em inglês.
"Ela imprimia os textos, nós nos reuníamos e eu ia corrigindo de caneta mesmo. Um grande desafio foi a tradução, pois nem tudo que funciona em português faria sentido em inglês, ainda mais a nível acadêmico", explicou Fadia.
Uma adolescente com sonhos
Apesar de manter um ritmo intenso de estudos dentro e fora da escola, Luísa deixa claro que é uma adolescente como qualquer outra: gosta de ler livros, assistir a filmes e seriados, encontrar-se com amigos, cozinhar e brincar com sua cachorrinha de estimação.
A estudante planeja cuidadosamente o próprio futuro e relata ter se interessado pela área de Economia ao perceber que poderia compreender como as pessoas tomam decisões e como o dinheiro influencia essas escolhas.
"Desde criança, sempre tive muito interesse por dinheiro e por entender como ele funciona. Estava perdida em relação à área que gostaria de seguir [...] e percebi que a Economia estava relacionada a um interesse que eu já tinha há bastante tempo", afirma.
A mãe, Rafaella Carvalho de Souza, de 45 anos, afirma que toda a experiência foi um misto de emoções para a família. Mesmo diante do nível de dificuldade do concurso, ela decidiu apoiar e focar no sonho da filha.
"Escolhemos focar no sonho, e não nas dificuldades. [...] Luísa tem uma força imensurável dentro dela, que a move e a faz continuar focada em seus sonhos, independentemente dos desafios e das dificuldades que precise enfrentar", afirma a mãe.
Rafaella explica que a filha organiza os estudos com flexibilidade, com base em análises de seus pontos fortes, limites e dificuldades. A mãe busca garantir que Luísa tenha uma vida equilibrada entre lazer e deveres.
Ao ser perguntada sobre o valor e a importância da educação, Luísa afirma acreditar que os estudos podem transformar realidades e, por isso, continua se dedicando.
"Eu não só acredito, como sinto que tenho que acreditar, porque grande parte da minha vida e dos meus objetivos é baseada nos estudos. Se eu não acreditasse que todo esse esforço pode trazer resultados, estaria colocando em dúvida muito daquilo pelo que venho trabalhando", finaliza a competidora.
Estudante com a mãe, Rafaella Carvalho
Divulgação/Arquivo Pessoal
Entenda o concurso
O concurso de redação do Instituto John Locke oferece aos alunos a oportunidade de terem seus trabalhos avaliados por um painel de acadêmicos renomados de universidades de prestígio, incluindo Oxford, Cambridge, Harvard, Princeton e Stanford, sob a liderança do Presidente do Painel de Examinadores, Professor Terence Kealey.
Alcançar a lista de finalistas já é considerado um diferencial de peso para admissões em universidades internacionais de elite. Veja abaixo como a competição funciona.
No período de inscrições o instituto revelou as categorias e temas e abrem inscrições de estudantes de todo o mundo, com menos de 19 anos.
Depois da primeira fase Global Essay Prize, cerca de 17% dos mais de 100 mil participantes de 183 países avançam para a shortlist ;
Os finalistas passam por uma nova etapa de avaliação, que inclui verificação de originalidade dos textos, entrevistas por amostragem e testes de proficiência em inglês;
Os estudantes classificados são convidados para participar da Conferência Acadêmica e do Jantar de Gala do John Locke Institute, que em 2026 serão realizados entre os dias 2 e 4 de outubro, em Londres;
Durante a cerimônia, a organização anuncia os vencedores do prêmio principal e os primeiros, segundos e terceiros colocados de cada categoria da competição.
Vencedores por categoria: Recebem menções de destaque e bolsas de estudo para os programas de verão ou cursos do Instituto John Locke.
Vencedor do Grande Prêmio: Recebe uma bolsa honorária e premiação de maior valor voltada a programas acadêmicos.
Global Essay Prize 2024
John Locke Institute/Divulgação
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