Funcionários de consórcio intermunicipal de saúde reduzem atendimentos após denunciarem atraso salarial
13/01/2026
(Foto: Reprodução) Funcionários da saúde em Jales reduzem atendimentos por atraso no salário
Funcionários contratados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Jales (Consirj) reduziram o ritmo de atendimentos em unidades de saúde nesta segunda-feira (12) após denunciarem atrasos salariais. Segundo eles, a remuneração deveria ter sido paga no 5º dia útil do mês de janeiro.
Conforme apurado pela TV TEM, o problema é recorrente e ocorre desde setembro. Questionada, a Prefeitura de Jales afirma não concordar com o modelo de rateio entre o município e o consórcio. Por isso, o poder público diz que tem feito repasses parciais para não interromper os atendimentos.
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Os profissionais atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Serviço de Atendimento de Urgência (Samu), no Centro de Atenção Psicossocial Regional (Caps) e em um centro de diagnóstico, todos administrados pelo Consirj.
Apesar da medida adotada recentemente, os serviços não foram interrompidos e nenhum paciente ficou sem assistência. Contudo, quem procurou atendimento percebeu maior lentidão nas filas de espera.
Em entrevista à TV TEM, a enfermeira da UPA, Maria Eduarda de Oliveira Borges, destacou as dificuldades enfrentadas pela falta de salário.
"Eu rodo 120 km por dia para ir e voltar do trabalho. Se não tenho dinheiro para o combustível, como venho trabalhar? E os juros do meu cartão, quem vai pagar? Desde setembro, enfrentamos atrasos. Em novembro, por exemplo, o salário foi pago em duas parcelas. Em janeiro, o problema continua. Nosso medo é que no próximo mês se repita. Será que vamos ter que ir às redes sociais pedir apoio para receber o que é nosso direito?", relata Maria Eduarda.
Funcionários da saúde de Jales (SP) reduzem atendimentos após atraso salarial
TV TEM/Reprodução
O Consirj atende 16 municípios da região, sendo Jales responsável por 66% do custeio. De acordo com o consórcio, a prefeitura da cidade deveria repassar mensalmente cerca de R$ 950 mil, mas vem efetuando pagamentos parciais. Na segunda-feira, por exemplo, foi pago R$ 200 mil. Atualmente, a dívida acumulada do município com o Consirj chega a R$ 3,37 milhões, abrangendo vários meses de atraso.
Conforme constatado pela reportagem, o problema não ocorre apenas em Jales e impacta municípios vizinhos que dependem dos serviços. No caso do Samu, o atendimento também abrange Santa Fé do Sul (SP).
"Desde o dia 30 de novembro, os bombeiros que tinham função delegada deixaram de acompanhar o Samu. Com isso, nossos condutores socorristas, que são treinados, passaram a assumir todas as viaturas e cumprir as horas extras, trabalhando durante todo o fim de ano para que a população não ficasse sem atendimento. Nós continuamos trabalhando e dependemos dos nossos salários. O Samu não para", afirma Andreia Luisa da Conceição, técnica de enfermagem do Samu.
Funcionários da saúde de Jales (SP) reduzem atendimentos após atraso salarial
TV TEM/Reprodução
Unidade de Pronto Atendimento de Jales (SP)
Reprodução/TV TEM
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