Greve na Unicamp: sindicato aponta 23 setores afetados e universidade diz que atividades 'transcorrem normalmente'
12/05/2026
(Foto: Reprodução) Trabalhadores bloqueiam entrada do campus da Unicamp para manifestação
Iniciada após um ato nesta segunda-feira (11), a greve de trabalhadores da Unicamp afetou 23 setores até o início da noite desta terça (12), segundo o sindicato que representa a categoria. A universidade, no entanto, diz que as atividades essenciais "transcorrem normalmente".
Os setores considerados impactados são aqueles que têm servidores que já aderiram ao movimento. Segundo o Sindicato de Trabalhadores da Unicamp (STU), as repartições não pararam de uma vez, visto que a adesão de servidores é gradativa.
Dos 23 setores, apenas um não fica em Campinas (SP): a Faculdade de Ciências Aplicadas, em Limeira (SP). Confira a lista informada pelo STU:
Faculdade de Ciências Médicas
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade de Engenharia de Alimentos
Instituto de Biologia
Instituto de Geociências
Instituto de Física Gleb Wataghin
Faculdade de Ciências Aplicadas (Limeira)
Faculdade de Enfermagem
Divisão de Educação Infantil
Diretoria Geral de Administração
Instituto de Computação
Biblioteca Central
Instituto de Química
Centro de Engenharia Biomédica
Hospital de Clínicas e Hospital da Mulher (começando a aderir)
Colégio Técnico de Campinas (Cotuca)
Faculdade de Educação
Instituto de Artes
Diretoria Acadêmica
Sistema de Arquivos (Siarq)
Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica
Secretaria Executiva de Comunicação
Centros e Núcleos (Cocen)
O STU afirmou que estudantes têm apoiado o movimento, embora a votação da greve dos diretórios estudantis seja realizada separadamente.
Além da Unicamp, a greve também conta com as participações de servidores e entidades da USP e da Unesp, que formam o Fórum das Seis. Eles reivindicam melhorias na permanência estudantil, na estrutura das universidades e benefícios.
A expectativa é que o movimento continue pelo menos até quinta (14), quando haverá uma reunião em São Paulo (SP) entre os sindicatos e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais (Cruesp).
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Em nota, a Unicamp disse que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso, "reafirmando o compromisso da Universidade com o diálogo transparente e construtivo".
A universidade ainda declarou que preserva e respeita "os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional".
"A Reitoria permanecerá empenhada no processo de negociação, buscando garantir que o desfecho seja o melhor possível para a preservação das atividades acadêmicas e para o conjunto da comunidade universitária", completou.
Reivindicações
Manifestação de trabalhadores da Unicamp nesta terça
Johnny Inselsperger/EPTV
Segundo o STU, as entidades ligadas às três universidades estaduais paulistas apresentaram 13 pautas para serem incluídas na campanha salarial 2026:
Reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde maio de 2012, além da reposição da inflação de 2025/2026;
Valorização dos salários iniciais das carreiras técnico-administrativas e docentes;
Garantia de isonomia salarial entre técnicos, docentes e servidores do Ceeteps;
Destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp;
Contratações por concurso público e reposições de vagas;
Reversão de contratos terceirizados;
Redução da jornada para 30 horas semanais (técnicos e saúde), sem corte salarial;
Fim do ponto eletrônico e condições dignas de trabalho;
Defesa da aposentadoria pública e fim da contribuição de aposentados;
Hospitais universitários 100% públicos e Serviço Único de Saúde (SUS);
Ampliação das políticas de permanência estudantil, como bolsas e moradia;
Combate a assédios e violência institucional, com protocolos efetivos;
Defesa da autonomia universitária e democracia interna.
Ainda foram citadas reivindicações emergenciais como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio saúde, progressões e o pagamento de retroativos (“Descongela Já”).
Nesta quarta (13), estão previstas reuniões de unidade e uma assembleia aberta do Comando de Greve.
Manifestação
Manifestantes cobram contratações, reajuste salarial e benefícios
Johnny Inselsperger/EPTV
Uma manifestação ocorreu na manhã desta terça na rotatória da Avenida Guilherme Campos, que dá acesso à Unicamp, em Campinas. O ato motivou congestionamento na Rodovia D. Pedro I (SP-065), no km 137.
A lentidão também atingiu o acesso à rotatória que liga à Avenida Adolfo Lutz, acesso ao Hospital de Clínicas e a uma das entradas da universidade.
O trânsito foi liberado às 9h, embora ainda houvesse reflexos na D. Pedro I. A região de Barão Geraldo também registrou pontos de lentidão, mas o cenário estava totalmente normalizado às 12h.
Além das reivindicações da greve, o grupo se manifestou contra a violência registrada durante um ato ocorrido na segunda, na frente da Secretaria de Educação do Estado, em São Paulo.
A Polícia Militar usou bomba de gás para dispersar manifestantes, e houve troca de agressões com um vereador.
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