Igreja no interior de SP recebe relíquia de 1º grau de santo espanhol falecido há mais de 800 anos: 'Tivemos a graça', diz padre
15/08/2026
(Foto: Reprodução) Igreja no interior de SP recebe relíquia secular de São Domingos
O Dia de São Domingos de Gusmão, celebrado em 8 de agosto, simbolizou um momento especial para a Diocese de Catanduva, no interior de São Paulo, que recebeu uma relíquia de primeiro grau do santo, que é padroeiro do município.
A celebração ocorreu na Igreja Matriz e ficou marcada pela exposição da relíquia trazida diretamente de Quebec, no Canadá, por intermédio de um casal de brasileiros que mora na Suíça, cuja mulher nasceu em Catanduva e chegou a frequentar a paróquia.
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Missa em celebração ao 'Dia de São Domingos de Gusmão' em Catanduva (SP) com a presença de relíquia do santo
Foto: PASCOM - Igreja Matriz de Catanduva
Na tradição católica, as relíquias são divididas em três categorias: restos mortais dos santos (1º grau); objetos pessoais e de uso direto em vida (2º grau); e tecidos ou objetos colocados em contato com uma relíquia de 1º grau (3º grau).
"Dificilmente se conseguem pedaços grandes, que visivelmente são mais fáceis de identificar. Nós tivemos a graça de conseguir esse fragmento", explicou em entrevista ao g1 o padre Fábio Pagotto Cordeiro, pároco da Igreja Matriz de Catanduva.
Padre Fábio Pagotto na Igreja Matriz de Catanduva (SP)
Foto: PASCOM - Igreja Matriz Catanduva
O artefato recebido pela Diocese de Catanduva é classificado como ex ossibus (expressão em latim que significa "dos ossos"), tratando-se de parte da estrutura óssea do santo. A relíquia consiste na metade de uma falange de um dos dedos de São Domingos e mede cerca de três centímetros.
"Além da própria relíquia, chama a atenção sua documentação histórica. O documento oficial de autenticidade foi expedido em 30 de março de 1927 e, portanto, completará 100 anos em 2027", destacou o padre Fábio.
Relíquia extremamente rara foi exposta aos fiéis no dia 8 de agosto em Catanduva (SP)
Foto: PASCOM - Igreja Matriz de Catanduva
Como ocorreu a doação
São Domingos nasceu por volta de 1170, na Espanha, e morreu em 1221, na Itália. Sacerdote e fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), ele dedicou a vida à oração, ao estudo e à pregação do Evangelho. A forte devoção católica dos fundadores de Catanduva ao santo o tornou padroeiro do município.
A relíquia que hoje fica na Igreja Matriz da cidade estava localizada em Montréal, na província de Québec, no Canadá. Ela foi doada pelo Frei Bruno Demers, residente no país norte-americano.
Amigos dos Dominicanos, o casal Marina Pizoni e Rodrigo Camilo Camargo, que atualmente mora na Suiça, decidiu ajuda a trazer o fragmento após uma decisão do Convento Católica de encaminhá-lo ao Brasil.
Casal do interior de SP traz relíquia rara de santo à Catanduva (SP)
Arquivo pessoal
Em 14 de julho, Rodrigo, que já havia morado no Canadá por dois anos, precisou retornar ao país para se encontrar com seu diretor de tese de doutorado. Na ocasião, ele e a esposa aproveitaram para reencontrar o Frei. Foi quando surgiu a ideia de trazer a relíquia ao município no noroeste de São Paulo.
“Aproveitamos a ocasião para rever alguns amigos, principalmente o Frei Bruno Demers, que é como um pai para nós e que foi o doador da relíquia. Ele sempre nos acolhe quando estamos no Canadá e também nos visita na Suíça. É uma pessoa que amamos profundamente”, contou a teóloga Marina Pizoni.
Marina explicou que sua ligação com o santo surgiu de maneira natural e que, apesar de ser padroeiro de sua cidade natal, se fortaleceu durante a faculdade e com o relacionamento com o marido.
Ter tido a oportunidade de trazer a doação da relíquia foi algo completamente inesperado, mas era um desejo antigo da teóloga para fortalecer a devoção dos fieis ao santo.
“ Era algo que eu sempre havia desejado, porque sabia que a Diocese de Catanduva não possuía uma relíquia de São Domingos. Infelizmente, os fiéis de nossa diocese, de modo geral, ainda conhecem pouco o santo e não existe uma devoção popular tão expressiva a ele. Por isso, enxerguei nessa possibilidade uma forma de incentivar a devoção popular e de aproximar as pessoas de nosso padroeiro”, explicou Marina.
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Da Europa para Catanduva
A entrega da relíquia acompanhou o roteiro corrido da viagem do casal ao Brasil, que envolveu compromissos familiares, casamentos e congressos. Para garantir a segurança do item sagrado, o padre Fábio viajou de Catanduva até Campinas (SP), onde buscou a peça das mãos de Marina e de Rodrigo dias antes da festa do padroeiro São Domingos de Gusmão.
"Ficamos muito contentes ao perceber todo o cuidado que ele [padre] teve, providenciando tudo o que era necessário para que ela fosse recebida e venerada com a dignidade que merece", afirmou Marina.
Relíquia de São Domingos de Gusmão em Catanduva (SP)
Foto: PASCOM - Igreja Matriz de Catanduva
O casal não conseguiu acompanhar a celebração pessoalmente, mas se emocionou ao ver fotos e vídeos com a reação dos fieis ao terem acesso à relíquia.
"Toda a comoção criada em torno da chegada da relíquia nos surpreendeu muito. Foi emocionante ver São Domingos sendo conhecido e celebrado de uma maneira tão especial justamente na diocese que o tem como padroeiro", finalizou a teóloga.
A Matriz de São Domingos já abriga o maior acervo de telas de arte sacra assinadas pelo renomado pintor paulista Benedito Calixto em uma única igreja no Brasil. A chegada do fragmento complementa o patrimônio religioso e cultural de Catanduva.
* Colaborou sob supervisão de Henrique Souza
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