Itália: imigrantes são queimados vivos, e crime expõe escravidão moderna ligada à máfia

  • 04/06/2026
(Foto: Reprodução)
Carro da polícia italiana em imagem ilustrativa Polizia di Stato/Reprodução Em um crime que chocou a região da Calábria, no sul da Itália, quatro trabalhadores agrícolas imigrantes – três de nacionalidade afegã e um paquistanês – foram queimados vivos dentro de um veículo em Corigliano-Rossano, na segunda-feira (1º). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As autoridades prenderam dois suspeitos paquistaneses, identificados como "caporali", termo utilizado para designar intermediários que controlam de forma abusiva a mão de obra precária no país. O episódio reacendeu o debate sobre o "caporalato" e a persistente exploração de imigrantes. Os detalhes do ataque revelam uma crueldade extrema. Segundo as investigações, os agressores teriam bloqueado as portas do automóvel e despejado gasolina no interior do veículo, antes de atear fogo com um isqueiro. A identificação dos suspeitos foi possível graças às imagens de câmeras de segurança de um posto de gasolina e ao relato de um sobrevivente afegão, que conseguiu escapar das chamas ao pular por uma das janelas do carro. Agora no g1 O jovem testemunhou que o motivo da violência seria uma cobrança de dinheiro feita pelos intermediários para cobrir os custos de transporte até as fazendas, valor que as vítimas não podiam pagar devido aos salários miseráveis e irregulares que recebiam. O sistema de "caporalato" é descrito como uma forma de escravidão moderna, na qual esses intermediários recrutam trabalhadores para grandes explorações agrícolas, operando frequentemente com o apoio ou sob o controle de organizações mafiosas. Relatórios do sindicato CGIL apontam que aproximadamente 70% dos operários agrícolas nessas condições trabalham sem contrato formal. Inspeção precária Embora uma lei rigorosa tenha sido aprovada em 2025, prevendo até seis anos de prisão e confisco de bens para quem explora trabalhadores, a aplicação da norma enfrenta obstáculos logísticos. Atualmente, a Itália carece de pelo menos 6 mil inspetores do trabalho adicionais para fiscalizar as propriedades e garantir o cumprimento da legislação. A exploração, contudo, não é exclusividade dos campos de frutas e vegetais do sul da Itália. O fenômeno se estende para setores como logística, indústria têxtil e construção civil, inclusive nas regiões mais ricas do norte e centro do país. Um caso recente em Milão envolveu a prisão de um dirigente de uma empresa de construção acusado de empregar clandestinamente centenas de trabalhadores indianos nas obras do novo consulado americano. De acordo com o Ministério Público, os operários eram submetidos a jornadas de 12 horas diárias, mesmo em períodos de doença, recebendo apenas dois euros por hora trabalhada.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/04/italia-imigrantes-sao-queimados-vivos-e-crime-expoe-escravidao-moderna-ligada-a-mafia.ghtml


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