Juiz de Fora tem 25% da população vivendo em áreas de risco, aponta levantamento
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Mais de 20 bairros tiveram ruas evacuadas após as chuvas de Juiz de Fora
Um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), revela que 25% da população de Juiz de Fora vive em áreas de risco.
Ao todo, 128.946 pessoas ocupam terrenos com probabilidade de desastres naturais, como deslizamentos e inundações. O número coloca o município na nona posição nacional em contingente populacional vivendo nessas condições.
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O que são áreas de risco
Mapa das áreas de risco em Juiz de Fora
Reprodução/TV Integração
Áreas de risco são aquelas com probabilidade de desastres naturais, que colocam em risco a vida e a casa dos moradores. São divididas em:
Áreas de risco geológicas: encostas sujeitas a deslizamentos de terra;
Áreas de risco hidrológicas: margens de rios suscetíveis a alagamentos e inundações.
Entenda a classificação
A Defesa Civil de Juiz de Fora utiliza um mapeamento dividido em quatro níveis de perigo, que variam de acordo com as características do terreno e a estrutura das construções:
🟢Verde: Baixo risco
🟡Amarelo: Médio risco
🟠Laranja: Alto risco
🔴Vermelho: Muito alto risco
Segundo Tiago Antonelli, chefe da divisão de Geologia Aplicada do Serviço Geológico do Brasil, a classificação é rigorosa e depende da análise técnica da estabilidade do solo e da qualidade das edificações.
Chuvas deixam mortos em Juiz de Fora
Departamento dos Bombeiros de MG/via AFP
No município, as áreas de "muito alto risco" estão concentradas principalmente nas regiões Leste, Sudeste e Sul.
No bairro Parque Burnier, considerado o epicentro da tragédia que deixou mais de 60 mortos na cidade, o mapa apontava 88 pessoas em risco. Somente nesta localidade, 22 mortes foram confirmadas.
Ao todo, foram registrados óbitos em 16 bairros diferentes.
O que chamou a atenção de especialistas e autoridades nesta última tragédia foi a ocorrência de deslizamentos em locais que não eram classificados com o nível máximo de perigo.
"A chuva não é homogênea em todo o município, ela é mais forte em alguns pontos, mais fraca em outros, tem questão de vento, temperatura do solo então isso é normal, acontecer de deslizar algumas áreas com risco alto e outras muito alto não deslizarem ou não inundarem", explicou Antonelli.
Bairros onde foram registradas mortes após chuvas em Juiz de Fora
Reprodução/TV Integração
Desabrigados e prevenção
A situação pós-temporal ainda é crítica para milhares de moradores. De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora:
68 ruas em 22 bairros foram evacuadas por medida de segurança.
Cerca de 600 pessoas estão em abrigos municipais.
Mais de 8.500 moradores estão atualmente desabrigados ou desalojados.
Para o Serviço Geológico do Brasil, o mapeamento deve servir como base para que a administração municipal não apenas monitore, mas implemente mecanismos robustos de prevenção e obras de infraestrutura para evitar novas perdas humanas e materiais.
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