Justiça do Amazonas condena mãe e irmão de Djidja Cardoso e mais cinco por tráfico de cetamina em Manaus
22/07/2026
(Foto: Reprodução) Djidja Cardoso com a mãe Cleusimar Cardoso e o irmão Ademar Cardoso.
Reprodução/Redes Sociais
A Justiça do Amazonas condenou, nesta quarta-feira (22), sete pessoas investigadas por integrar um esquema de tráfico de cetamina em Manaus. Entre os condenados estão Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, encontrada morta em maio de 2024 após abuso de cetamina. As penas variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão.
A decisão é da juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute). Segundo a sentença, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita religiosa "Pai, Mãe, Vida" para distribuir e aplicar indiscriminadamente a cetamina, substância de uso veterinário com efeito alucinógeno.
A sentença foi proferida exatos 10 meses após a Justiça anular uma condenação anterior relacionada ao mesmo processo, depois que o Ministério Público reconheceu uma falha na condução do caso e pediu que ele voltasse à primeira instância.
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Após a regularização das provas periciais, a Justiça concluiu que havia elementos suficientes para confirmar a materialidade dos crimes e a responsabilidade dos condenados.
Veja as penas dos condenados:
Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe de Djidja): 10 anos e 11 meses de reclusão, em regime fechado. Segundo a Justiça, ela era a principal articuladora e líder da associação criminosa.
Ademar Farias Cardoso Neto (irmão de Djidja): 10 anos e 11 meses de reclusão, em regime fechado. Foi apontado como o "braço executivo" do grupo.
José Máximo Silva de Oliveira (veterinário): 10 anos e 4 meses de reclusão, em regime fechado. Proprietário da clínica veterinária MaxVet, era responsável pelo fornecimento da droga.
Hatus Moraes Silveira (personal trainer): 10 anos e 5 meses de reclusão, em regime fechado. Atuava como intermediário e facilitador da logística.
Verônica da Costa Seixas (gerente): 10 anos de reclusão, em regime fechado. Auxiliava na aquisição e ocultação dos materiais.
Sávio Soares Pereira (funcionário de clínica veterinária): 9 anos de reclusão, em regime semiaberto. Era responsável pelas negociações por meio do WhatsApp.
Bruno Roberto da Silva Lima (ex-namorado de Djidja): 8 anos e 6 meses de reclusão, em regime fechado. Participava da logística para aquisição da droga e incentivava seu consumo.
Dos condenados, Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus tiveram a prisão preventiva mantida e não poderão recorrer em liberdade.
Já Verônica, Sávio e Bruno poderão recorrer em liberdade, desde que cumpram medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
O g1 tenta localizar a defesa dos citados.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações da Operação Mandrágora, a cetamina era adquirida ilegalmente na clínica veterinária MaxVet e distribuída pelo grupo.
Segundo a sentença, a droga era utilizada durante rituais da seita "Pai, Mãe, Vida". Os líderes convenciam funcionários, amigos e pessoas próximas de que a substância proporcionava "cura espiritual" e "elevação".
Originalmente utilizada como anestésico veterinário, a cetamina era aplicada em humanos em doses consideradas perigosas. Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram episódios de cárcere privado e abusos sexuais contra vítimas que estariam sob efeito da droga.
Caso Djidja: polícia explica como funcionava seita que usava medicação irregular
Réus absolvidos
A Justiça absolveu três réus por entender que não havia provas suficientes para condená-los pelos crimes de tráfico de drogas ou associação para o tráfico:
Emicley Araújo Freitas, motoboy;
Claudiele Santos da Silva, maquiadora;
Marlisson Vasconcelos Dantas, maquiador.
A morte de Djidja
Djidja, que foi uma das principais atrações do Festival de Parintins por cinco anos, foi encontrada morta no dia 28 de maio. O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) indica que a morte da ex-sinhazinha foi causada por um edema cerebral, que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração.
No entanto, o laudo não esclarece o que teria provocado o quadro. A principal linha de investigação da polícia aponta para a possibilidade de uma overdose de cetamina como causa da morte.
De acordo com as investigações, o corpo de Djidja foi encontrado pelos policiais com sinais de overdose e indícios do uso da substância injetável.
No dia da morte de Djidja, a polícia também encontrou frascos de cetamina enterrados no quintal da casa dela, além de caixas da droga, seringas, frascos, bulas e cartelas de remédios na lixeira da propriedade.
Morte de Djidja: Principais pontos sobre o caso