Moradores abandonam casas em comunidade de Fortaleza após ameaças de facção
30/07/2026
(Foto: Reprodução) Moradores abandonam casas em comunidade de Fortaleza após ameaças de facção
Moradores da comunidade Barreirão, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, deixaram suas casas após ameaças realizadas por integrantes de uma facção criminosa que tenta dominar a região. A mudança de alguns destes moradores foi acompanhada pela Polícia Militar, entre a noite desta quarta-feira (29) e a manhã desta quinta-feira (30).
Conforme apuração da TV Verdes Mares, integrantes da comunidade foram ameaçados por membros da facção Comando Vermelho (CV).
✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp
Em mensagens enviadas, criminosos afirmaram que estão monitorando toda a comunidade e fizeram ameaças, nomeando algumas das pessoas que estariam apoiando um grupo rival.
“Se não sair fora do Barreirão, o próximo alvo vai ser qualquer um que eu falei aí”, cita a mensagem, após a menção direta a cinco moradores.
Na noite desta quarta-feira (29), um vídeo foi gravado na comunidade em que membros da facção Massa aparecem fazendo uma pichação cobrindo a sigla do Comando Vermelho. O vídeo foi divulgado com a legenda “Nossa bandeira jamais será vermelha”.
Moradores deixam casas após ameaças de organização criminosa na comunidade Barreirão, no bairro Cajazeiras
Reprodução
Investigação policial
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social informou que a Polícia Civil realiza diligências relacionadas a um deslocamento forçado registrado na região.
Conforme a pasta, todas as ações registradas que envolvem organizações criminosas são investigadas por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com a realização de prisões de forma constante.
A secretaria também reforçou, em nota, a importância do registro do Boletim de Ocorrência. O caso é acompanhado pelo 13º Distrito Policial.
Mudanças às pressas
No fim da tarde desta quarta-feira (29), pelo menos duas famílias saíram da comunidade. Uma delas não conseguiu levar móveis e outros pertences.
Uma das moradoras da região, que preferiu não ser identificada, relatou que a tensão na comunidade fez com que, nos últimos dias, as ruas ficassem sem o movimento de crianças que costumavam brincar do lado de fora.
"Pode acontecer a qualquer um, apesar de eu ser uma cidadã trabalhando, eu não escuto, não fico sabendo de nada... Mas eu tenho medo", disse a mulher.
À TV Verdes Mares, a moradora relatou que também tem vontade de deixar a comunidade, mas não saberia para onde ir. Ela explicou que prefere não falar sobre o medo que enfrenta para outros familiares dela, que moram em outra cidade.
"Eu gosto muito daqui. Gosto mesmo, mas mexe com a gente. Vou ficar até onde Deus permitir e Maria também, que eles me mostrem uma luz [...] Mas eu não quero sair com reforço de polícia, eu não devo nada a ninguém", desabafou.