Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 em SC aplicou o mesmo golpe em 7 estados durante 15 anos
06/06/2026
(Foto: Reprodução) Mulher de 37 anos é 'acolhida' após fingir ter 12 anos
A mulher de 37 anos presa e indiciada após confessar ter se passado por uma adolescente de 12 anos e vivido como filha adotiva de uma família que a acolheu em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi presa algumas vezes após cometer crimes semelhantes ao longo de mais de 15 anos.
Em depoimento à Polícia Civil catarinense, nesta semana, Amanda Maria Souza de Oliveira confessou ter aplicado o mesmo golpe em outros cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Um caso em Natal (RS) também veio à tona nos últimos dias (veja mais abaixo).
Em Santa Catarina, a polícia investiga outras duas ocorrências em Florianópolis e Chapecó.
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Suspeita fingia comportamento infantil e dizia ter autismo
Quem é Amanda Maria, mulher de 37 anos que fingiu ser adolescente
Em 2010, a suspeita foi internada em um hospital de Natal (RN) com agulhas na região do abdômen. Na época, ela já era adulta, mas dizia ter apenas 13 anos.
O caso chegou à Polícia Civil do Rio Grande do Norte após a unidade de saúde ligar para a delegacia e informar sobre o caso, disse o delegado que atendeu a ocorrência na época, Luiz Lucena, à NSC TV.
"A gente começou as investigações e descobriu que ela já tinha feito isso lá em Fortaleza e tinha vindo para cá. Nós chegamos a fazer todo o acompanhamento dela na delegacia, deu toda assistência nesse sentido, mas a gente descobriu que ela não era menor de idade, o próprio hospital falou que não tinha condições de ser menor de idade", afirmou.
"Depois, o pessoal do Rio Grande do Sul ligou para mim também com essa mesma situação", completou Lucena.
Mais de quinze anos depois, ele não soube dizer qual foi o desfecho do caso por conta do sigilo do processo.
Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos
Arquivo pessoal/Reprodução
A defesa de Amanda, feita pelo advogado Rafael Luiz Siewert, informou que aguarda a realização do exame psiquiátrico, autorizado pela Justiça na última quarta-feira (3), para se manifestar "de forma mais aprofundada" sobre as conclusões do inquérito referente ao crime em Joinville. A data ainda não foi marcada.
Mesmo Modus operandi
Em todos os casos, o modus operandi era o mesmo.
Amanda se apresentava como adolescente em situação de vulnerabilidade e dizia ter fugido da cidade natal por conta de abusos sofridos. Embora variasse o nome e a idade informados, sempre dizia ter menos de 18 anos.
Ela chegou a ser desmascarada e presa algumas vezes.
Em 2021, em Porto Alegre, ela teria enganado as autoridades e ficado em um abrigo para menores em situação de vulnerabilidade. A farsa sobre a idade só foi descoberta, à época, após uma perícia ser realizada.
No mesmo ano, uma investigação da 2ª delegacia Polícia Civil de Cachoeirinha (RS) prendeu Amanda preventivamente por estelionato consumado. Ela ficou seis meses presa pelo crime e saiu em junho de 2022 da cadeia. No caso, ela dizia ter 11 anos.
No caso mais recente, em Joinville, a Polícia Civil apurou que Amanda foi acolhida por uma família, que se sensibilizou com a situação dela, e passou a ser tratada como filha. Ela morou com o casal até este mês, quando parentes começaram a desconfiar da menina.
Durante o período, Gabriele, como ela se apresentava, ganhou festa de aniversário para comemorar os supostos 12 anos e tratamento para emagrecer com Mounjaro.
Agulhas
Amanda também fingiu ser adolescente ao dar entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, em setembro de 2023. Na época, os médicos também encontraram diversas agulhas no corpo dela durante um raio-x.
A mulher vivia em uma casa de acolhimento da Capital, na ocasião, e deu entrada na unidade de saúde afirmando que estava com dores abdominais.
Não há informações sobre a origem desses itens, nem se os objetos continuam no corpo dela.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) chegou a pedir um exame de sanidade mental da mulher após os profissionais identificarem os objetos. O pedido não foi acatado na época.
Infográfico - Falsa adolescente
Arte/g1
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