Musk e OpenAI, dona do ChatGPT, vão ao tribunal no segundo dia de julgamento
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Sam Altman e Elon Musk
Fotos: Reuters
Um julgamento que pode ajudar a moldar o futuro da inteligência artificial começou nesta terça-feira (28), colocando os bilionários Elon Musk e Sam Altman em lados opostos sobre a transformação da OpenAI, criadora do ChatGPT.
A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, foca na alegação de que a organização traiu sua missão original de ser uma entidade sem fins lucrativos.
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As declarações iniciais do processo estão acontecendo no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, após a seleção, na véspera, de nove jurados.
Musk, que é a pessoa mais rica do mundo, está exigindo US$ 150 bilhões em indenizações, em um processo que também envolve Microsoft, uma de suas maiores investidoras. Segundo o bilionário, o valor arrecadado será destinado ao braço beneficente da OpenAI.
No início do julgamento, um advogado de Musk Steven Molo disse que os réus, ou seja, Sam Altman e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, "roubaram uma instituição beneficente".
"estamos pedindo que vocês os responsabilizem”, destacou Molo.
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Musk também pede que a OpenAI volte a operar como uma organização sem fins lucrativos, com Altman e Brockman afastados de seus cargos executivos, além da remoção de Altman do conselho.
Musk e Altman compareceram ao tribunal na manhã de terça-feira para apresentar suas declarações iniciais.
Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, afirmou ter aportado cerca de US$ 38 milhões em capital inicial na OpenAI em sua missão original, antes de ver a empresa se tornar uma entidade com fins lucrativos em março de 2019, pouco mais de um ano após sua saída do conselho.
Já a OpenAI argumenta que Musk tinha conhecimento da mudança de estrutura e a apoiava, entrando com o processo apenas depois de não conseguir assumir o cargo de CEO e de fundar sua própria empresa de inteligência artificial.
Musk diz não buscar indenização pessoal, mas sim responsabilizar os réus por violação de dever fiduciário e enriquecimento ilícito.
A juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, disse esperar que os jurados iniciem as deliberações sobre a responsabilidade dos réus até 12 de maio.
O júri é composto por enfermeiros, funcionários municipais e aposentados. Caso considerem os réus responsáveis, ambas as partes apresentarão ao juiz seus argumentos sobre eventuais medidas a serem adotadas.
Entre os nomes esperados para depor pessoalmente estão o próprio Musk, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella. Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI e mãe de quatro filhos de Musk também deve ser uma testemunha-chave do processo.
De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos
Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões.
Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite.
Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica.
Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global.
O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão.
Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações).
*Com informações da agência de notícias Reuters.