Número de lares com apenas uma pessoa dobra em Ribeirão Preto, SP, e impulsiona mercado de 'coliving'; entenda

  • 07/06/2026
(Foto: Reprodução)
Número de lares com apenas uma pessoa dobra em Ribeirão Preto, SP A decisão de morar sozinho deixou de ser uma fase transitória e virou um estilo de vida permanente para moradores de Ribeirão Preto (SP). Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de moradias unipessoais - quando apenas uma pessoa reside no imóvel - passou de 27.808 em 2010 para 56.364 em 2022 na cidade. O salto de 102,7% em um intervalo de 12 anos acompanha uma tendência registrada em todo o Brasil. Informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), com projeções consolidadas até o início deste ano, apontam que o número de brasileiros vivendo sozinhos saltou de 7,5 milhões para 15,6 milhões. O levantamento indica que, atualmente, quase dois em cada dez lares no país (19,7%) são ocupados por apenas um morador. Para o sociólogo Wlaumir Souza, o movimento crescente é um reflexo direto das novas dinâmicas profissionais, da mudança de valores e da busca constante por independência. A estrutura familiar tradicional, aos poucos, cede espaço para novas estratégias de sobrevivência e liberdade individual. "O fenômeno migratório influencia na busca de trabalho no Brasil. Ribeirão Preto, por exemplo, é um polo de atração. Os projetos profissionais se sobrepuseram às famílias. Ao mesmo tempo, as pessoas estão mais livres nos dias de hoje, e constituir família não é mais uma coerção social como era no passado, pelo menos naquele modelo tradicional nuclear com pai, mãe e filhos morando no mesmo lugar", analisa o especialista. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Levantamento do IBGE aponta que número de moradias ocupadas por apenas uma pessoa cresceu mais de 100% em 12 anos em Ribeirão Preto (SP) Reprodução EPTV/ Luciano Tolentino A era do 'coliving' Com a mudança no perfil demográfico e o salto nas moradias unipessoais, o mercado imobiliário precisou recalcular a rota. Casas e apartamentos amplos agora dividem espaço com projetos pensados exclusivamente para quem vive só, mas não quer abrir mão da convivência social. É neste cenário que ganha força o coliving, um formato de habitação que combina estúdios privativos compactos com amplas áreas compartilhadas, como coworkings, lounges, academias, piscinas e lavanderias. Marcelo Freire Monteiro, CEO de uma construtora local, explica que o modelo vai muito além de apenas diminuir a metragem do apartamento. O grande objetivo do negócio é evitar o isolamento de quem escolhe a independência. "É um prédio onde as unidades geralmente são compactas e existem áreas comuns bem mais elaboradas. O que difere para ser um coliving é que tem que ter um gestor dessa comunidade para estimular a convivência entre as pessoas", detalha o diretor. Espaços de convivência, como lavanderias e áreas gourmet, são apostas do formato coliving para evitar o isolamento dos moradores Reprodução EPTV/ Luciano Tolentino O empresário ressalta que as mudanças na sociedade continuarão alimentando a demanda por moradias inteligentes e flexíveis. "Está vindo a primeira geração sem primos, que são filhos de filhos únicos. É nítido que existe uma mudança demográfica. Às vezes a pessoa tem separação, quer sair da casa dos pais ou mudou de emprego para outra cidade e precisa de um lugar até se adaptar. Tudo isso estimula essa demanda, que no Brasil está começando, mas em outros lugares já está muito mais avançada", completa Monteiro. Áreas comuns e de lazer em novos empreendimentos imobiliários estimulam a interação e a criação de laços entre os vizinhos Reprodução EPTV/ Luciano Tolentino Praticidade e novas conexões O próprio empreendimento administrado pela construtora de Monteiro ilustra bem a nova fase do mercado em Ribeirão Preto. Localizado no bairro Nova Aliança Sul, o edifício conta com 12 andares e disponibiliza 43 estúdios de um dormitório, com áreas privativas que variam de 17 m² a 43 m². As instalações são aliadas a inovações tecnológicas, como automação, aplicativos de serviços, energia solar e mobilidade compartilhada com bicicletas e patinetes elétricos. A versatilidade e a localização estratégica do prédio atraíram o arquiteto Marcos Antônio Vasques, um dos moradores que vivenciam na prática a proposta do CEO. Vasques, que é da região de Jaboticabal (SP), decidiu investir em um estúdio de 28 m² no local para facilitar a rotina intensa de trabalho. Arquiteto Marcos Antônio Vasques na sala do estúdio de 28 m²; ambiente compacto foi personalizado para facilitar a rotina de trabalho em Ribeirão Preto (SP) Reprodução EPTV/ Luciano Tolentino O ambiente compacto foi todo personalizado com detalhes para garantir aconchego. O que era para ser apenas um ponto de apoio no dia a dia acabou transformando a rotina do morador. "Eu sempre tive vontade de ter uma moradia em Ribeirão Preto, pois gosto muito da cidade. Surgiu a oportunidade e serve super bem. O projeto é muito bacana e oferece várias coisas além do estúdio. Tem a lavanderia, um lugar para fazer um almoço se não quiser cozinhar dentro de casa. Tem uma comunidade e oferecem até limpeza", conta o arquiteto. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/06/07/numero-de-lares-com-apenas-uma-pessoa-dobra-em-ribeirao-preto-sp-e-impulsiona-mercado-de-coliving-entenda.ghtml


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