O que são mísseis de fragmentação, que Israel acusa o Irã de usar na guerra

  • 11/03/2026
(Foto: Reprodução)
Míssil de fragmentação iraniano explode sobre Israel em 5 de março de 2026 Dylan Martinez/Reuters As forças militares de Israel têm acusado o regime iraniano de usar mísseis de fragmentação nos ataques contra seu território desde o início da guerra. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Normalmente restritivas quanto à divulgação de informações sobre ataques e danos causados ​​pelo Irã, as autoridades israelenses têm buscado, nos últimos dias, conscientizar o público sobre os perigos dessas bombas, que podem permanecer no solo mesmo após civis deixarem seus abrigos. Pelo menos três pessoas morreram, incluindo duas em um canteiro de obras no centro de Israel na terça-feira (10). Em junho de 2025, durante a guerra dos 12 dias entre Israel e Irã, Israel já havia denunciado o uso desse tipo de munição por Teerã. Israel, por sua vez, já usou diversas vezes munições de fragmentação contra o Líbano, em guerras que se estenderam de 1978 a 2006 — no último confronto contra o grupo extremista Hezbollah, em 2024, autoridades libanesas também apontaram fortes indícios do uso desses mísseis pelos israelenses. Há uma convenção de 2008 que proíbe o uso desse tipo de munição, mas nem Israel, nem Irã são signatários — e não se veem obrigados a segui-la. Especialista explica como funcionam as bombas de fragmentação Saiba mais sobre esse tipo de armamento e seu emprego em conflitos: O que são munições de fragmentação? As munições de fragmentação — também conhecidas como "cluster munition" — são armamentos projetados para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre um território extenso. Essas pequenas bombas têm como alvo principal áreas amplas, podendo atingir simultaneamente soldados, veículos e infraestruturas. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, elas foram usadas pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial. Há, ainda de acordo com o mesmo comitê, uma grande proporção de munições de fragmentação estocadas — heranças da Guerra Fria. O uso em áreas civis é considerado extremamente perigoso, já que muitas submunições não explodem no momento do impacto e permanecem ativas no solo — funcionando como minas terrestres, o que significa que elas podem ferir ou matar civis anos após o fim dos conflitos. Por que elas são tão criticadas? Devido à ampla dispersão e à falha de detonação de parte das submunições, as bombas de fragmentação são consideradas por organizações internacionais como uma das armas mais letais para civis. Em 2008, mais de 110 países assinaram, em Dublin (Irlanda), a Convenção sobre Munições Cluster — um tratado internacional que proíbe o uso, desenvolvimento, armazenamento e transferência desse tipo de armamento. O acordo estabelece que os países signatários se comprometem a nunca: utilizar munições de fragmentação; desenvolver, produzir, adquirir ou manter esse tipo de arma, de forma direta ou indireta; colaborar ou incentivar qualquer ação que contrarie os termos do tratado. Nem Israel, nem Irã são signatários do tratado. Potências militares como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia também não aderiram à convenção e, por isso, não estão legalmente vinculadas às suas restrições. O Brasil também está fora da lista de signatários. Em 2017, um relatório da organização Human Rights Watch denunciou o uso de bombas de fragmentação de fabricação brasileira em ataques a escolas no Iêmen, realizados dois anos antes por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. Na ocasião, Steve Goose, diretor da divisão de armas da Human Rights Watch e presidente da Coalizão Contra Munições Cluster, criticou duramente a postura brasileira. “O Brasil deve reconhecer que munições cluster são armas proibidas que nunca devem ser fabricadas, enviadas ou usadas devido aos danos que causam a civis”, afirmou. Ele também apelou para que tanto o Brasil quanto a coalizão saudita se unam ao tratado. Arsenal de Israel e Irã Segundo a ONG Landmine and Cluster Munition Monitor, Israel usou munições de fragmentação pela última vez em 2006, em combates no sul do Líbano, contra o Hezbollah. O país teria continuado a produzir esse tipo de armamento até 2018. Além de vender para outros países, a ONG acredita que Israel ainda possui grandes estoques desse tipo de armamento em seu prórprio arsenal. Ela não atesta o uso destes em ataques contra o território libanês em 2024, como denunciado por Beirute. A Landmine and Cluster Munition Monitor diz que também não conseguiu verificar de forma independente o uso dos mísseis de fragmentação do Irã em 2025, e não faz menção aos ataques deste mês. Em junho passado, a Anistia Internacional criticou o uso desse tipo de munição por Teerã.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/11/o-que-sao-misseis-de-fragmentacao-que-israel-acusa-o-ira-de-usar-na-guerra.ghtml


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