Passageiros reclamam de demora, superlotação e motoristas que não sabem caminho de ônibus do Paese no 2° dia de greve da CPTM em SP

  • 05/08/2026
(Foto: Reprodução)
Passageiros enfrentam filas e ônibus lotados no 2° dia de greve da CPTM em SP No segundo dia de greve das linhas de trens da CPTM em São Paulo, os passageiros que optaram por utilizar os ônibus do sistema Paese acumulam reclamações do serviço na manhã desta quarta-feira (5) em São Paulo. Além da demora e da superlotação dos veículos, os usuários afirmam que parte dos motoristas que dirigem esses ônibus não sabem o caminho que têm que seguir e pedem orientação para os próprios passageiros. ACOMPANHE: g1 monitora a situação dos trens de SP em tempo real 🔍 A Operação Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) é um sistema de ônibus acionado em São Paulo para transportar passageiros gratuitamente quando há paralisações, greves ou grandes falhas em linhas de trem, metrô ou do sistema municipal. Os ônibus vêm de linhas regulares para cobrir os trechos afetados. Em São Miguel Paulista, na estação da Linha 12–Safira, um passageiro disse que demorou quase uma hora e meia para conseguir embarcar em um ônibus do Paese desde as 05h da manhã. Os coletivos do Paese só chegaram ao local por volta das 06h15 da manhã. A reportagem do Bom Dia SP, da TV Globo, constatou que em São Miguel, entre 5h50 e 7h15 da manhã, apenas um veículo Paese chegou à estação da Linha 12–Safira. Após as 07h15, ao menos três deles chegaram à estação. Ônibus do Paese demoram e ficam lotados no 2° dia de greve da CPTM em SP Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), ligada à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 195 ônibus nesta quarta-feira (5) para os passageiros das linhas em greve. O número é superior aos 128 veículos Paese disponibilizados na terça-feira (4). Segundo a agência, “há inspetores acompanhando a operação nas estações de trem”, mas as reportagens da TV Globo não conseguiram encontrar nenhum deles nas estações até por volta das 07h17 da manhã. “O Paese foi acionado para reduzir os impactos da paralisação e oferecer alternativas de deslocamento, principalmente entre a capital e a Região Metropolitana, com 195 ônibus nesta quarta-feira”, disse a agência. Os ônibus da operação emergencial estão disponibilizados nas seguintes linhas, de acordo com a Artesp: Linha 11-Coral: 95 ônibus Linha 12-Safira: 90 ônibus Linha 13-Jade: 10 ônibus “A Artesp realiza a gestão dos ônibus do Paese e acionou as empresas responsáveis pela operação e reforçou as orientações aos motoristas. Sobre o caso relatado de desconhecimento da rota, pode ter sido uma ocorrência pontual”, declarou a gestão Tarcísio. Passageiro pendurado em ônibus da Operação Paese na estação São Miguel, da Linha 12-Safira, na manhã desta quarta-feira (5). Reprodução/TV Globo Rodízio suspenso Com a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto, mantida nesta quarta-feira (5), a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos e disse que vai reagendar consultas e exames de pacientes da rede municipal que forem afetados. O governo estadual também manterá o plano de contingência para reduzir os impactos no transporte público. A paralisação começou na meia-noite da terça (4). Os funcionários pedem a reestatização das três linhas repassadas pela gestão Tarcísio para a empresa Trivia Trens ou a manutenção dos 4.700 empregos dos funcionários da CPTM, que passam por um plano de demissão voluntária (veja mais abaixo). De acordo com a prefeitura, o rodízio de veículos está suspenso durante todo o dia. Greve em três linhas da CPTM afeta quase 1 milhão de passageiros na Grande São Paulo "As equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) seguem acompanhando as condições de circulação em todas as regiões da capital e adotando as medidas necessárias para minimizar os impactos na mobilidade e orientar os motoristas", disse o Executivo municipal, em nota. As demais restrições existentes na cidade serão mantidas: Rodízio de veículos pesados (caminhões); Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC); Zona de Máxima Restrição aos Fretados (ZMRF). Em relação ao transporte público municipal, não serão liberadas as faixas exclusivas de ônibus. Já sobre as consultas e os exames dos pacientes afetados pela greve, a prefeitura informou que as unidades de saúde entrarão em contato diretamente com os usuários, não sendo necessária a presença, para o reagendamento. Em caso de dúvidas, os pacientes podem procurar a gerência da Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Reforços no transporte Passageiros circulam pelas plataformas da Estação da Luz, na região central da cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026. Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entraram em greve à 0h desta terça-feira, 4, por tempo indeterminado. ROBERTO COSTA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO Assim como ocorreu na terça-feira (4), o governo de São Paulo afirmou, em nota, que "a CPTM e o Metrô voltarão a executar o plano de contingência e reforçarão a operação do sistema de transporte para reduzir os impactos à população durante este segundo dia de paralisação". Em nota, a TIC Trens informou que reforçará o atendimento ao público na estação de transferência Palmeiras-Barra Funda, com ampliação do número de colaboradores para orientação e suporte aos passageiros. A concessionária também irá operar com frota máxima nos horários de pico e manterá monitoramento contínuo da operação ao longo do dia. Conforme a demanda de passageiros, se necessário, poderá antecipar a inserção de trens em circulação ou postergar o recolhimento dos trens. A Motiva disse que as linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda operam regularmente nesta quarta-feira (5) e permanecerão com os esforços estratégicos para garantir o melhor atendimento aos clientes. A concessionária também afirmou que manterá o reforço das equipes de atendimento e operação, agentes embarcados em todos os trens e posicionados em pontos estratégicos das estações, transferências abertas e monitoramento em tempo real pelo Centro de Controle Operacional (CCO), permitindo ajustes na circulação sempre que necessário. "Também poderá ser antecipado o horário de abertura das estações de transferências, conforme a demanda operacional do Metrô", diz o comunicado. Negociação entre sindicato e governo Greve paralisa linhas da CPTM na capital O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil informou, em nota, que, apesar das tratativas realizadas ao longo do dia, o governo "não apresentou uma garantia concreta por escrito, de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, principal reivindicação dos Ferroviários durante todo o processo de negociação". "Diante da ausência dessa garantia, a assembleia da categoria decidiu manter a greve e convocou nova Assembleia Geral para esta quarta-feira, 5 de agosto, às 17h00, quando os trabalhadores voltarão a avaliar o andamento das negociações e os próximos encaminhamentos do movimento", diz a nota. sindicato dos Ferroviários fez assembleia no fim da tarde desta terça-feira (4) TV Globo Em nota, o governo do estado afirmou que "a justificativa apresentada pelo sindicato para sustentar o movimento não é verdadeira". "Não há demissões em curso decorrentes do processo de concessão. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; os demais funcionários estão contemplados no plano de realocação englobando Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos", diz o texto (leia a íntegra mais abaixo). Mais cedo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou as redes sociais para criticar a greve. Ele chamou o movimento de “instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”. “A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, afirmou. “A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem, que já não suportam mais ver justamente aqueles políticos que dizem defender os seus interesses atuando para ferir seu direito de ir e vir”, disse. Governador de SP diz que greve é instrumentalização política O governador de SP e candidato à reeleição afirmou, ainda, que “negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”. “Não vamos permitir que o cidadão seja refém, que seja usado mais uma vez como instrumento de pressão. Não é por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição. Seguiremos em frente e, não custa lembrar, as linhas concedidas estão operando normalmente”, declarou. Em nota, o governo afirmou que a greve foi decretada pelo sindicato mesmo após o compromisso do governo de não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM. "A paralisação ocorre por decisão unilateral do sindicato, com justificativas baseadas em desinformação e prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que usam as três linhas diariamente. Ao longo de todo o dia, a greve também afeta o trânsito na capital, com rodízio suspenso e pico de congestionamento de mais de 720 km pela manhã", enfatizou. Ainda de acordo com a nota, desde o início das negociações, o governo de SP e a CPTM apresentaram compromissos concretos e mantiveram canais de diálogos abertos. "A manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera da paralisação. Ao contrário do que alega a entidade, não há demissões em curso, o que torna sem fundamento a motivação trabalhista da greve. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; 475 permanecem nas Linhas 11, 12 e 13, novamente sob gestão da CPTM; 450 estão no Metrô; 177 negociam realocação para a Artesp e outros órgãos; 522 seguem à disposição para novas cessões; e 853 atuam em áreas administrativas. Diante desses números, causa estranheza a continuidade de uma greve que prejudica diariamente milhares de usuários das três linhas afetadas". O que diz o governo "Após um dia inteiro de transtornos à população da capital e da Grande São Paulo, a decisão do sindicato de manter a greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade é injustificável. O Governo do Estado de São Paulo manifesta sua absoluta reprovação à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais. Os impactos da greve extrapolaram o sistema ferroviário e comprometeram a mobilidade de toda a maior região metropolitana da América Latina. A paralisação levou à suspensão do rodízio municipal de veículos na capital e contribuiu para o registro de 720 quilômetros de congestionamento no período da manhã, penalizando milhões de paulistas. A justificativa apresentada pelo sindicato para sustentar o movimento não é verdadeira. Não há demissões em curso decorrentes do processo de concessão. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; os demais funcionários estão contemplados no plano de realocação englobando Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos. Ao insistir na paralisação, o sindicato evidencia que sua motivação ultrapassa qualquer reivindicação trabalhista e se concentra na defesa da reestatização de serviços concedidos, conferindo caráter eminentemente político ao movimento. Além disso, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho que determinava a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico foi desrespeitada, uma vez que a CPTM operou com apenas 53% dos funcionários no período de maior demanda da noite, agravando ainda mais os prejuízos impostos à população. A CPTM e o Metrô voltarão a executar o plano de contingência e reforçarão a operação do sistema de transporte para reduzir os impactos à população durante este segundo dia de paralisação. O Governo do Estado continuará adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para assegurar a prestação do serviço público, responsabilizar os envolvidos pelo descumprimento das determinações judiciais e garantir a proteção do direito de ir e vir dos cidadãos." Concessão das três linhas Trivia Trens assume em definitivo a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram leiloadas pelo governo de São Paulo em março do ano passado. A vencedora da concessão foi o grupo Comporte Participações, dono da Trivia Trens e da Tic Trens, que assumiu o compromisso de investir R$ 14,3 bilhões nas três linhas, com a construção de novas estações, reformas, modernização da infraestrutura e redução dos intervalos entre os trens. Em maio deste ano teve início a operação assistida das três linhas. Nesse período, a transferência da operação da CPTM para a Trivia Trens ocorreu de forma gradual. Na primeira fase, os funcionários da CPTM operavam o sistema enquanto equipes da concessionária acompanhavam os procedimentos. Em seguida, a Trivia Trens passou a operar as linhas sob supervisão dos profissionais da CPTM. A concessionária assumiu integralmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em 21 de julho. Porém, nos três primeiros dias de operação exclusiva da concessionária, passageiros enfrentaram falhas e atrasos nas linhas. Em 23 de julho, um curto-circuito provocou um incêndio em um dos vagões da Linha 12-Safira. Após os problemas registrados, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomasse a operação das linhas por um período de 90 dias, enquanto a concessionária realiza ajustes operacionais. Trem pega fogo e provoca paralisação de linhas em SP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/05/passageiros-reclamam-de-demora-superlotacao-e-motoristas-que-nao-sabem-caminho-de-onibus-do-paese-no-2-dia-de-greve-da-cptm-em-sp.ghtml


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