Prefeitura de Salvador prorroga situação de emergência da praia de São Tome de Paripe; área está contaminada há seis meses

  • 11/08/2026
(Foto: Reprodução)
Manchas azuis e amarelas seguem na praia de São Tomé de Paripe. Arquivo pessoal A situação de emergência da praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, foi prorrogada por 90 dias. A Prefeitura de Salvador publicou um novo decreto no Diário Oficial do Município (DOM) desta terça-feira (11), estendendo a medida. Segundo a resolução, a decisão da prefeitura teve como base a permanência dos impactos sociais e ambientes decorrente das substâncias químicas ainda presentes na praia. Ao menos desde fevereiro, manchas azuis e amarelas são vistas na faixa de areia e na água do mar. Em maio, foi confirmada a contaminação por substâncias, como Cobre e Nitrato. Diante disso, a gestão municipal reconheceu a necessidade de continuidade das ações de redução de riscos e mitigação de danos ao ambiente e à população. O problema tem impedido a visitação e o trabalho de pescadores, marisqueiras e outros profissionais. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia No dia 20 de junho, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar os impactos da contaminação sobre as comunidades da região. O procedimento tinha como propósito aprofundar a apuração sobre os efeitos do despejo de resíduos poluentes no mar. Agora no g1 De acordo com o decreto inicial nº 41.834, o problema foi provocado pelo derramamento de produtos químicos em ambientes lacustres, fluviais, marinhos e aquíferos. A área atingida foi delimitada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Relatórios técnicos do Inema identificaram níveis elevados de metais pesados, como ferro, cobre e zinco, em organismos marinhos coletados na região. Os maiores índices foram encontrados em moluscos bivalves (os que se caracterizam pela presença de uma concha carbonatada formada por duas valvas, como ostras e mexilhões) com concentrações superiores às observadas em crustáceos. Ainda segundo a resolução, a contaminação está associada a atividades desenvolvidas pelas empresas Intermarítima e Gerdau, o que teria provocado impactos em toda a faixa litorânea de São Tomé de Paripe. Após investigação, o instituto aplicou multas de R$ 20 milhões e R$ 50 milhões as empresas, respectivamente. Na ocasião, a Intermarítima ressaltou que não movimenta carga relacionada com as substâncias encontradas na praia. Já a Gerdau informou que iria se defender formalmente e reforçou que, desde 2022, não é mais titular da licença ambiental para atuar no espaço (Veja a nota completa ao final do texto). A decisão leva em consideração os danos ambientais e sociais causados à população local, incluindo prejuízos à atividade pesqueira e riscos à saúde. O Ministério Público já havia recomendado a adoção de medidas emergenciais para minimizar os impactos. Com o reconhecimento da situação de emergência, a prefeitura fica autorizada a mobilizar todos os órgãos municipais para ações de resposta, assistência às pessoas afetadas e recuperação das áreas atingidas. A medida também abre caminho para o reconhecimento federal da emergência, o que permite a solicitação de recursos da União para apoio humanitário e execução de obras de recuperação. A prefeitura informou que seguirá monitorando a situação e que novas medidas podem ser adotadas conforme a evolução do cenário. Em entrevista ao g1 em maio deste ano, o presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, Reinaldo Jorge Cirne, afirmou que os pescadores têm buscado alternativas para seguir trabalhando. Cerca de 1200 profissionais compõem a entidade e, diante do cenário, alguns passaram a recorrer a outros serviços para obter renda. "Esse produto tóxico acaba com tudo, alguns pescadores estão catando lata, papelão, fazendo reciclagem para sobreviver", detalhou. Riscos à saúde Manchas azuis e amarelas seguem na praia de São Tomé de Paripe. Arquivo pessoal Segundo especialistas, as substâncias químicas encontradas no local representam riscos à saúde da população. Moradores das comunidades ao redor da praia apontam que há pouca orientação da população e sinalizações na praia, que não chegou a ser interditada após a contaminação. Segundo análises da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os produtos químicos encontrados podem causar problemas dermatológicos, como irritações cutâneas e gastrointestinais. Por meio de nota, o órgão informou que equipes da Vigilância em Saúde têm atuado na região e monitorado os novos casos de saúde na localidade. Casos suspeitos de intoxicação por exposição a produtos químicos chegaram a ser notificados na região e são acompanhados pela pasta. A SMS afirmou ainda que equipes especializadas vêm realizando ações in loco para orientar trabalhadores e moradores da comunidade quanto aos riscos de contaminação. Até que as análises técnicas sejam concluídas, a secretaria recomenda que a população evite: consumir peixes e mariscos capturados na área; contato direto (banho ou pesca) com a água do mar na região sob investigação; busca por assistência médica imediata em caso de aparecimento de manchas na pele, coceira, náuseas ou dificuldades respiratórias após contato com a área contaminada. Nota de posicionamento da Gerdau A Gerdau confirma o recebimento do auto de infração emitido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) referente à contaminação na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, e afirma que apresentará defesa administrativa, fundamentada em vasta documentação e laudos técnicos. A companhia ressalta que não é a titular da licença ambiental vigente do Terminal Marítimo, a qual foi devidamente transferida, em 2022, à Intermarítima, atual proprietária e operadora do ativo. A Gerdau reafirma seu compromisso de décadas com as comunidades e ambientes onde atua, e diálogo aberto com autoridades responsáveis. LEIA MAIS: Governo Federal reconhece situação de emergência em Salvador após contaminação química em praia do Subúrbio Pesquisa encontra Cobre em siris de praia contaminada no Subúrbio de Salvador Moradores denunciam morte de mariscos e peixes em praia contaminada por Nitrato e Cobre em Salvador; polícia investiga Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/08/11/prefeitura-de-salvador-prorroga-situacao-de-emergencia-da-praia-de-sao-tome-de-paripe.ghtml


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